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Porta aberta ao fascínio e aos segredos da arqueologia que nasce na pré-história, segue os passos das legiões de Roma e repousa nas necrópoles medievais. Tudo assente em granito, numa paisagem sempre verde e cheia de sabor legítimo a queijo da Serra e a Vinho do Dão, também eles nobres descendentes dos mais antigos alimentos do Homem.
Fornos de Algodres situa-se numa encosta virada ao vasto horizonte por onde passa o idílico vale do Mondego e que avança até às alturas da Serra da Estrela. Para Norte eleva-se o planalto de Algodres, recortado a leste pela ribeira de Muxagata e a oeste pela ribeira de Carrapito.
Pelo planalto há dolmens rodeados por terras de centeio, de batata e belos prados percorridos por rebanhos de ovelhas bordaleiras.
Nos cumes dormem os Deuses Lusitanos e imponentes penedos de granito, arredondados ao vento e aos séculos. Alguns serviram de abrigo e refúgio a civilizações castrejas há mais de cinco mil anos.
Fornos de Algodres sempre foi um importante ponto de passagem. Ainda hoje, junto à Capela de Nª Srª da Graça, se pode ver uma calçada romana que fazia parte da via romana que ligava Viseu a Mérida, passando pela Guarda e Idanha-a-Velha. Outros testemunhos do passado são a igreja da Misericórdia do século XVIII e o Pelourinho, do século XVI, com colunelos de granito em gaiola e fecho em esfera. À volta do Largo do Pelourinho há um núcleo de casario antigo em granito do qual se destaca a Casa da Câmara do século XVIII.

Um passeio arqueológico...até 5000 a.C 

Subindo dos campos de dólmens onde repousa a memória dos Homens do Neolítico até tocar os cumes rochosos dos Deuses Lusitanos. Uma viagem perfumada por estevas silvestres, queijarias antigas e a alegria de um arraial Beirão.
Depois de ver em Fornos de Algodres o Largo do Pelourinho, a calçada romana junto à Capela de Nª Srª da Saúde e os bordados de ponto de Arraiolos no Posto de Venda de Artesanato, na Rua do Ténis, siga para Infias, a 3 km. À esquerda da porta principal da Igreja de Ínfias encontra-se uma lápide romana dedicada ao Deus Mercúrio. Antes de sair de Infias visite o Posto de Artesanato e descubra a beleza decorativa dos tamancos que aqui se vendem. Depois siga pela Estrada Municipal até Furtado para visitar a Capela de S. Clemente e uma ara votiva romana epigrafada, do séc. III d.C.. Continuando em direcção a Matança, volte à esquerda, 2 km ao Norte de Furtado, para visitar o Dólmen de Corga de Matança, situado a cerca de 300 metros deste cruzamento. Este Dólmen tem 9 esteios com câmara poligonal, tem cerca de 4 metros de altura e data do Neolítico (V milénio a.C.). Em dois dos esteios podem ver-se esculturas serpentiformes. Matança, sobranceira ao bucólico vale da ribeira de Carrapito, mostra uma calçada romana junto à Ponte de origem medieval. Seguindo para Maceira, pare em Forcadas para ver uma Necrópole Medieval situada entre a aldeia e a ribeira. Este campo sepulcral, característico do Norte da Península Ibérica, mostra um conjunto de 25 sepulturas de planta rectangular, não antropomórficas escavadas na rocha e datadas do século VII/ VIII d.C.. Maceira é uma tranquila aldeia de altitude, rodeada de campos férteis. Se for hora de almoçar não deixe de provar o borrego assado no forno e o requeijão. Depois, no Posto de Artesanato, pode provar o vinho local do Dão, a jeropiga e a aguardente regional. A cerca de 100 metros da Capela de Nª Srª da Agonia veja a lagariça medieval de Maceira. Continuando pela estrada municipal em direcção a Queiriz suba até ao castro da Fraga da Pena, a 750 metros de altitude, junto ao marco geodésico do Alto da Serra. Este povoado datado da Idade do Bronze Inicial (IV milénio a.C.) possuía uma muralha defensiva, semi-circular e ligada ao Tor granítico, formando um recinto onde existiriam cabanas de ramos entrelaçados e apoiados no rochedo. As escavações aqui realizadas revelaram um espólio composto por objectos de pedra polida, cerâmica e objectos de cobre arsenical. Regressando à estrada para Maceira continue para Sul até Vila Chã. Aí suba até ao Castro de Santiago, importante povoado calcolítico fortificado (V milénio a.C.). Daqui siga para Cortiçô e depois até à estrada Algodres-Maceira, onde deve voltar à direita, para visitar o Dólmen de Cortiçô que se situa a cerca de 500 metros à esquerda desta estrada. Este dólmen data do V milénio a.C. e é formado por nove esteios ou monólitos de pedra com pequeno corredor de acesso. Retomando a estrada para Algodres, visite a Lagariça Medieval situada junto à estrada na Quinta da Alagoa. Na aldeia visite a Igreja Matriz com portal romano gótico, flanqueado por duas grossas colunas e típico campanário de 3 frestas ogivais. Na cabeceira exterior desta Igreja existe a estátua de Algodres, figura de origem medieval que segundo a tradição teria fundado a povoação. Fornos de Algodres é local recomendado para encontrar alojamento. No dia seguinte, antes de sair de Fornos de Algodres, reserve lugar no Arraial Beirão do Abrigo das Courelas. Depois siga pela EN 16, em direcção ao nó da IP 5, visite o canil de cães da Serra da Estrela em Quinta de Rodão, 500 metros à esquerda da estrada nacional. Retomando a EN 16 continue a descer até Vila Ruiva. A Necrópole Medieval de Vila Ruiva está situada nas imediações da Capela do Anjo. É um conjunto de vinte e duas sepulturas, todas elas escavadas na rocha, sendo algumas delas antropomórficas. De regresso a Fornos de Algodres para participar no Arraial Beirão, pare à saída da aldeia de Cadoiço para apreciar a beleza do vale da ribeira de Linhares.

Duração do Circuito: 2 dias. Distância Total: 92 Kms 


As feiras de queijo da serra

A tradição de fabrico do queijo da Serra da Estrela data ao VI milénio a.C. Tal como nesses tempos, o queijo da Serra continua a ter no seu sabor os dons da Natureza e a mestria de incontáveis gerações de pastores.
Quando o leite se tornou parte da alimentação humana o Homem do Neolítico começou a coalhar o leite em recipientes feitos de estômago de ruminantes ou em vasilhas perfuradas. Alguns restos destas vasilhas foram encontrados nas escavações arqueológicas realizadas junto aos monumentos megalíticos de Matança e Cortiçô.
A par do tempo o queijo começou a ser mais do que uma simples coalhada de leite fermentado. Assim foi com os Lusitanos, os romanos e as queijarias medievais que já possuíam segredos muito próprios, transmitidos de geração em geração de pastores e que ainda hoje se mantêm na tradição de fazer o queijo a partir de leite cru, sem pasteurização prévia, para lhe garantir o gosto genuíno da Natureza.
O queijo da Serra da Estrela, de forma arredondada, boleada de pasta semi-mole e amanteigada, pesa entre um a dois quilos e tem uma época de fabrico relativamente curta que decorre nos meses mais frios e húmidos, requerendo durante a cura atenta vigília, viragens hábeis e sucessivas lavagens, para que ao fim de cerca de 40 dias mostre todo o seu sabor. Às feiras de queijo de Fornos de Algodres acorrem pastores e queijeiras de toda a vertente poente da Serra da Estrela. São eles próprios que transportam o queijo para a feira em típicas cestas de castanho (canastros), resguardados por toalhas de linho, panos de burel ou serapilheira, sendo apenas o queijo destapado na presença do comprador ou do interessado.
As feiras de Queijo decorrem no Mercado Municipal de Fornos de Algodres entremeados de Novembro e meados de Abril, quinzenalmente, às Segundas-feiras, começando pouco antes de nascer do sol, cerca das 7H00 e terminando quase sempre às 9H00 da manhã.


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