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Histórica e monumental. O destino confirmou-a como baluarte e cidade da Serra.

Desde sempre toda a cidade da Guarda é um hino ao granito, cantado na arte românica da Capela do Mileu, no estilo gótico e manuelino da sua Sé Catedral, ou nas ruas, praças e muralhas da sua cidade medieval. Certo é que este hino teve eco no Neolítico, na Anta de Pêra do Moço e nos machados de pedra polida expostos no Museu da Guarda. Continuou pela Idade do Bronze e pela romanização, nos castros do Tintinolho e Jarmelo ou no troço de estrada romana junto ao Chafariz da Dorna. Até que em 1199, o segundo rei de Portugal, D. Sancho I fundou a cidade, deu-lhe o poder do Bispado da Egitânia e dedicou-lhe uma cantiga de amigo, em louvor de um amor antigo.
Com os reis Afonsinos, D. Afonso II e D. Afonso III, concluíram-se as muralhas, então com cinco portas. Hoje subsistem a monumental Torre dos Ferreiros e as Portas da Erva e d`EL Rei, vigiadas pela Torre de Menagem e ligadas por um traçado de ruas fascinantes que dão a volta à Judiaria, vão ao senhorial Largo do Paço do Biu, e das quais a Rua Direita, actual Rua Francisco de Passos, continua a ser a principal.
Na Praça Velha, ou Praça Luís de Camões, nasceu a actual Sé Catedral, construída entre 1390 e 1540. De então para cá, vieram mais séculos, mais estilos e mais monumentos, mas em todos eles há um rosto de granito que a cidade guardou para sempre. 

Um passeio na cidade

Do Museu da Guarda à Sé. Da Praça Velha à Judiaria. Passo a passo através de torres e muralhas, jardins e igrejas artísticas ou descobrindo uma colecção de relíquias medievais e renascentistas. Saindo da Praça do Município, ao fundo está o Hotel Turismo, da autoria de Raúl Lino, perto ou junto do Jardim José Lemos está, desde 1246, o antigo Convento de S. Francisco e actual Arquivo Distrital. Continuando, à direita, até ao Largo Frei Pedro, visite o Museu da Guarda instalado no edifício seiscentista do antigo Seminário, unido por uma Capela ao Paço Episcopal.

Museu da Guarda

O Museu tem ao nível do rés-do-chão quatro salas dedicadas cronologicamente à Pré-História, à Romanização, à Idade Média e ao Renascimento. Na Cave está a Sala das Armas e no piso superior, há exposições temporárias de etnografia, artesanato e pintura. Do Museu suba a Rua Camilo Castelo Branco até à Torre dos Ferreiros.
Repare na Capela setecentista de S. Pedro e no troço de muralha do século XIII. No interior está o Nicho de N.ª Sr.ª dos Aflitos. Saindo pela Rua da Torre volte à esquerda pela Rua dos Clérigos, assim chamada por nela terem residido os funcionários da Sé. Nesta rua há dois portais ogivais geminados, nos números 7 e 9, e um forno medieval no interior do Bar A Muralha. A rua termina na cabeceira da Sé, junto ao Solar de Alarcão, do séc. XVII, com capela no pátio, e hoje unidade de Turismo de Habitação. Subindo pela Rua D. Miguel de Alarcão, passe à Escola de Santa Clara e suba, junto ao cemitério, até à Torre de Menagem – a última relíquia do Castelo da Guarda, onde a visão da Sé, da cidade, da Serra e do planalto é notável. A descer até à Rua Solar Teles de Vasconcelos que alberga a Biblioteca Municipal e um Jardim com espaço aberto de lazer, chega-se junto à fachada principal da Sé. 

Sé Catedral

A visita à Sé faz-se pelo portal lateral da Praça Luís de Camões (Praça Velha). O Templo tem estrutura fortificada, coroada com arcobotantes, coruchéus e uma franja de flores de lis. A mais bela das suas três entradas é o portal lateral norte, virado à Praça Velha, todo em estilo gótico florido e encimado por um janelão manuelino. A fachada principal confina a poente com o Largo Dr. Amândio Paúl e tem o seu portal manuelino protegido por dois torreões sineiros octogonais.
No interior, de concepção gótica, há uma nave central e duas naves laterais que culminam numa cabeceira, composta por duas capelas laterais à capela-mor, decorada com um admirável retábulo da Renascença quinhentista, esculpido em pedra calcária de Ançã por João de Ruão, na sua oficina de Coimbra. A obra é grandiosa, tem quatro andares com apóstolos, envagelistas e figuras bíblicas, coroadas pela cena da Paixão de Cristo. No transepto estão os cadeirais dos clérigos e na nave lateral direita as capelas privadas dos Pinas e dos Ferros.
A Praça Velha é desde o século XII o coração da cidade onde estão, entre outros, o edifício manuelino da antiga Câmara, e no lado oposto, casas brasonadas e o solar alpendrado onde D. Dinis se hospedou em 1282. Ao fundo, uma fachada de edifícios oitocentistas com arcadas. Na Rua Francisco de Passos, há casas de seiscentos nos números 14, 15 e 19, uma casa de quinhentos no número 21 e no número 41 uma bela janela renascentista. A Igreja de S. Vicente é um templo barroco, do séc. XVIII, com notáveis painéis de azulejos na nave que contam a vida de Jesus. A Rua de S. Vicente desce até às Portas D’El Rei que são rodeadas por um troço de muralha com caminho de ronda.

Judiaria da Guarda 

Ao dobrar a esquina da Rua de S. Vicente com a Rua do Amparo, entramos em plena Judiaria da Guarda. Aqui tudo é medieval, as pedras do chão, os portais ogivais e as pequenas casas que se encostam à muralha ou às rochas de granito.
No Largo da Judiaria surge uma sucessão de patamares floridos e uma casa alpendrada, no número 57, que teria sido o tribunal dos judeus. Ainda pela Rua do Amparo reencontra-se a antiga Rua Direita e, voltando à esquerda, chega-se ao Largo do Torreão que é local panorâmico e ajardinado, onde existiu um dos torreões da cerca Afonsina. Na Rua do Torreão está o edifício da Associação de Jogos Tradicionais da Guarda que recorda o costume do jogo da malha, da raiola, do panco, da tracção da corda ou da subida ao pau. Ao fundo desta rua está o Largo do Poço do Biu onde há uma casa seiscentista com janela de canto e um nicho, ou Passo da Paixão de Cristo que a tradição cobrirá de roxo na Semana Santa. Ao lado, na Rua D. Sancho I, no portal esquerdo da casa com o número 15, uma loja de ferragens, está gravada uma cruz que era a marca usada pelos cristãos-novos, (judeus expulsos de Espanha e convertidos à fé cristã) para expressarem a sua nova fé e se protegerem da Inquisição.
Saindo pela Porta da Erva repare à esquerda no trecho da muralha, antes de subir a Rua Dr. Lopo de Carvalho até ao Largo João de Almeida, onde se encontra um cruzeiro e a Igreja da Misericórdia, traçada e decorada em estilo barroco no séc. XVIII. Por último, pela Rua Marquês de Pombal, admire a imponência granítica dos edifícios do Palácio da Justiça ou do antigo Banco de Portugal, até chegar ao local de partida deste passeio a pé.

Pelos encantos da Serra

Uma viagem por vales cobertos de socalcos, por rios que repousam em albufeiras e por aldeias a viver em paisagens inesquecíveis. Sempre ao sabor do Parque Natural da Serra da Estrela.Deixando a Guarda pela Av. Dr. Francisco Sá Carneiro siga pela EN 16. Cubo e Prado são aldeias à beira da estrada, com o panorama da Albufeira do Caldeirão à vista e o morro do Castro do Tintinolho ao lado.
Adiante de Chãos a EN 16 torna-se num miradouro sobre o vale do rio Mondego. Ao km 166 deixe a EN 16, volte à esquerda para Faia e Ramalhosa. Desça até à Quinta da Ponte, cruze o rio Mondego e refresque-se com a beleza do local. Siga o sinal para Mizarela, por uma encosta fértil e cheia de Quintas e Solares. Mizarela e Pêro Soares são aldeias separadas pelo Mondego e unidas por uma ponte antiga. Aqui o rio corre sobre um tapete de lajes de granito e visita moinhos e mós seculares.
Segue-se a subida até ao dique da Barragem do Caldeirão, olhando para um cenário de socalcos sem fim. Sobre o dique está o Miradouro do Mocho Real e, ao lado, há uma parede granítica para os amantes das escaladas.
Continue em frente para a Corujeira, ao longo da Albufeira do Caldeirão, até chegar a Trinta. A caminho de Videmonte olhe a grandeza das paisagens e perceba como é que a água do rio Mondego passa por um túnel subterrâneo para a albufeira, ou conheça locais ímpares para a pesca à truta. Videmonte é uma aldeia de pedra, de rebanhos e de bom queijo da Serra, mas onde a estrada acaba. Regresse a Trinta e continue para Meios e Fernão Joanes, por um planalto cheio de riquezas rurais e grandes castanheiros. No alto de Famalicão nasce o ribeiro e o vale do Caldeirão, por lá passa a EN 18-1. Viramos à direita e começa o vale de Famalicão que nos levará à histórica vila de Valhelhas, à beira do rio Zêzere. Antes pare em Famalicão para ver um típico lagar de varas e a paisagem decorada com picos nevados da Torre.
Valhelhas foi romana, teve castelo e foral de D. Sancho I, em 1189, antes da Guarda. No Largo do Pelourinho está a Igreja de Santa Maria, com campanário destacado.
Tome a direcção de Belmonte e junto à Ponte, sobre o rio zêzere, vire à esquerda para Gonçalo que é terra de artesãos que fazem cestas e mobiliário em verga. A aldeia tem ruas antigas, casas solarengas e portais manuelinos. Para Seixo Amarelo a estrada sobe entre florestas e panoramas. No reencontro com a EN 18-1, volte à direita, com um último olhar sobre o vale do Caldeirão, continuando até à Guarda pela EN 18, para ir ver o Castro de Jarmelo e a Anta de Pêra do Moço. 

Distância Total: 106 Kms. Duração: 1 dia.


Posto de Turismo da Guarda

Praça Luís de Camões
6300-725 Guarda
Tel.: 271 205 530
Fax: 271 205 533

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