Porta aberta à Serra da Estrela e à sua imponência natural. Ás suas delícias, às emoções da neve e à pureza das paisagens que nos fazem sonhar.
Cidade de origem antiga, desde sempre serrana e panorâmica, a quem os romanos deram o nome de Civitatem Sennam. A pastorícia e o fabrico do queijo remontam à Proto-História, tal como os Lusitanos, povo de pastores e guerreiros dos Montes Hermínios, cuja bravura e resistência a Roma é relatada desde o séc. IV d.C., por historiadores gregos e latinos. Esses tempos revelam-se hoje no Castro de S. Romão, a 4 kms de Seia. Aqui ainda se vêem três muralhas em volta de um Tor granítico, de grandes blocos. No centro da cidade a história é mais recente. Do seu antigo castelo medieval que foi conquistado aos Mouros por D. Afonso Henriques, em 1132, só resta o terreiro rochoso, hoje ocupado pela Igreja Matriz e envolvido por belo panorama e pelo Bairro do Castelo, todo ele cruzado de ruelas estreitas e casario de rosto antigo. Mais abaixo pode ver a Casa das Obras, edifício apalaçado do séc. XVIII, onde estão os actuais Paços do Concelho e que foi o antigo Solar dos Albuquerques e quartel-general de Wellington durante a última invasão napoleónica. A capela de S. Pedro, tem um portal românico, séc. XIII, e o corpo da nave é de reedificação manuelina, séc. XVI, demonstrada no fecho da abóboda pelo florão com a Cruz de Cristo, símbolo de D. Manuel I. Em frente da Capela situa-se o Solar dos Botelhos, também decorado com três belas janelas manuelinas. Ao lado, a Igreja da Misericórdia do séc. XVIII.
Pelos vales encantados do Alva, Loriga e Alvoco
Em tempo de férias, venha ver os encantos do nosso mundo rural, onde brilha o chão verde dos socalcos, as águas límpidas da Serra da Estrela e o sorriso das gentes que fizeram dos velhos vales glaciares novas terras de pão.
Deixando Seia pela EN 231, volte à esquerda em S. Romão, para ver o rochedo ciclópico da Cabeça da Velha, a cerca de 250 metros da Senhora do Desterro, um local onde existem oito capelas e se realizam as festas de S. Pedro e da Padroeira, a 29 de Junho e 15 de Setembro.
Mais abaixo passa o rio Alva e, logo a seguir à ponte, parte um caminho que conduz ao Castro de S. Romão e às Grutas Proto-Históricas do Buraco da Moura.
De volta a S. Romão, terra onde há diversas queijarias certificadas e veja os típicos coletes e as casacas de pastor na alfaiataria do Sr. António Garcia.
A acompanhar o rio Alva desça até à Vila Cova à Coelheira e daí suba à EN 17, para no cruzamento de Catraia, descer ao espantoso anfiteatro de socalcos de Sandomil, de novo à beira do Alva.
Para Valezim o caminho é sinuoso, cruza pinhais e castiçais, é panorâmico e passa por Corgas, S. Cosme, Tapadas e Sazes da Beira.
As terras de Valezim, sussurrantes de riachos e de rebanhos, mostram férteis leiras de milho à volta do casario, do antigo pelourinho e da Igreja românica de S. Pedro.
Pela EN 231 passa-se ao Miradouro do Carvalhal e, em frente à mata dos Viveiros Florestais, volte à direita para Cabeça. A paisagem do magnífico vale de xisto de Loriga é grandiosa. Erga o olhar e veja, a fechar o vale, à esquerda os dois fraguedos graníticos da Penha dos Abutres e do Gato, separados pela ribeira de Loriga que escorre desde o Covão do Meio, a 1800 metros de altitude. Em frente, a crista xistosa que esconde o vale do Alvoco, repondo o contraste entre duas rochas e dois mundos. No meio o Homem e a sua epopeia de guardar a terra fértil, ao longo de milhões de socalcos deste vale encantado. Cabeça, Casal de Rei e Muro, são aldeias de xisto empoleiradas a ver passar as águas da Serra que aqui cruzam pontes medievais, regam milhos e batatais, movem rodas e pedras de moinhos ancestrais.
Em Vide juntam-se alguns caminhos e as águas oxigenadas, frescas e ricas em trutas das ribeiras de Loriga, de Piodão e de Alvoco. Continuando pela EN 230 surge Teixeira inclinada perante as belezas do seu vale. A caminho de Alvoco, continue de mão dada com lindos panoramas, recantos com socalcos e as pequenas aldeias de xisto de Vasco Esteves.
Adiante é o impressionante vale de Alvoco, com a ribeira a subir até à catedral cinzenta e branca da Torre, por entre um imenso balcão de socalcos, pinhais e soutos de castanheiros, onde habita a Geneta, a Fuínha, a Coruja e o Estorninho. Em Alvoco há um troço de calçada romana junto à rua principal, há o suave balir dos rebanhos, há o roçar dos teares seculares e levadas de água que proporcionam passeios a pé ímpares.
Regressando a Seia, pela EN 231, atravesse a cidade e a solarenga e nobre aldeia de Santa Marinha, a caminho das terras chãs de Santa Comba e Pinhanços para provar nas Quintas da Bica e de Sães alguns dos melhores vinhos do Dão, sub-região da Serra da Estrela.
Na Rota da Neve
Um passeio à Lagoa Comprida e ao planalto da Torre, pela aldeia do Sabugueiro – a mais alta de Portugal. Sempre pelo caminho mais curto para ir esquiar ou apenas gozar o prazer puro da Natureza em altitude.
Saindo pela EN 339 pare no miradouro da Sr.ª do Espinheiro e espreite Seia e o horizonte. A EN 339 atravessa a aldeia de Sabugueiro, a 1050 metros de altitude.
O casario antigo da aldeia, não está junto à estrada, mas sim à volta do Largo da Igreja.
O vale, com o truteiro rio Alva lá no fundo, o escadório verde dos socalcos, as florestas e os rochedos pintados de branco, lá no céu, é deslumbrante.
Muitas casas que em tempos idos eram cobertas de colmo e lousa foram recuperadas para alojar turistas. Na margem oposta avistam-se as Centrais do Sabugueiro que geram energia com a água que desce entubada da Lagoa Comprida e do Vale do Rossim. A pé, não deixe de visitar a Cascata da Fervença ou o Covão do Urso. Adiante é a subida entre matas de coníferas que são local de abrigo e reprodução do Javali, do Gavião, do Pombo-Torcaz, do Pica-Pau ou da Estrelinha.
A maior altitude despontam os blocos graníticos rodeados de zimbros e boleados pelos ventos e pelas neves.
Depois dos primeiros espaços planos, o Chão das Eiras e o Paramol, surge à direita o Covão do Curral e a ribeira da Nave, por onde descia um braço do glaciar do Covão Grande, à cerca de 20.000 anos atrás. Hoje este circo glaciar é um espaço que convida às escaladas e ao montanhismo, ou à contemplação dos linquenes, dos cervunais, da câmpanula dos Hermínios ou da Orvalhinha – a planta carnívora que prende os insectos numas gotículas capazes de os digerir.
A Lagoa Comprida também foi um antigo lago glaciar, cujo covão, fechado por forte dique em degraus de granito, recebe por túnel as águas do planalto da Torre, representadas no Covão do Meio.
Finalmente, com as cúpulas prateadas e os teleféricos das pistas de ski da Torre à vista, troque o carro pelos esquis ou pela prancha de snow-board e deslize pelos prazeres da neve.
Posto de Turismo de Seia
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