
Belmonte
Depois de séculos de organização judaica em segredo, é, nos anos vinte do século XX que Samuel Schwarz anuncia a existência de uma comunidade no interior de Portugal, junto à Serra da Estrela: Belmonte, a vila natal do descobridor do Brasil em 1500, Pedro Álvares Cabral.
Findas as perseguições da Inquisição e terminados os processos de integração católica que diluíram a totalidade das muitas comunidades existentes, veio a descobrir-se que nesta vila estavam vivas as tradições, a organização e a estrutura religiosa dos últimos judeus secretos de Portugal. Belmonte é, no limiar do século XXI, a última comunidade peninsular de origem Cripto-Judaica a sobreviver enquanto tal. São cerca de 200 pessoas, quase 10 dos habitantes da vila.
Alguns exemplos de denúncias contra os judeus tornados secretos. Início do século XVII:
"... Helena, moça negra, escrava de Manuel Gomes, da Covilhã, sabe também que, na Páscoa, em casa do amo comem pão ázimo, sem sal, não o deixando levedar..."
"... Pêro Gonçalves, do Rochoso, garante que vindo à Guarda, sexta-feira de Endoenças, vender perdizes, entrara, sem bater, numa casa e viu cinquenta pessoas, pouco mais ou menos, mulheres, homens e meninos em oração, "com hu altar na dita caza muito rico de peças de prata e ouro" com velas acesas e "... em o qual estava hua toura muito fermosa"..."
Quatro anos depois do acontecido em Espanha, o sucessor de D. João II, D. Manuel, casado com uma filha dos reis católicos e muito pressionado por estes, promulga também o édito de expulsão. Longe de ser consensual, esta política não agradou a todos, principalmente nos meios da ciência e da escrita. A D. Manuel também não agradaria ver partir grande parte da dinâmica do reino.





