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Terras de castelos povoadas de lendas, sítios bonitos e calmos. Da Aldeia Histórica de Linhares aos campos vistosos do vale do Mondego que sobem às veigas planálticas do Baraçal e Açores. Das emoções do parapente e da pesca à truta, aos passeios ao longo do Parque Natural da Serra da Estrela. Sempre o sabor inesquecível do Queijo da Serra que de Dezembro a Maio desponta nas famosas Feiras de Queijo de Celorico e Carrapichana.
Um castelo fundado no século X, quase tão espaçoso como uma cidadela, assente num vasto morro granítico de flancos cortados a prumo. A primitiva fortificação era de origem romana, ao tempo do Imperador Augusto. Depois sucederam-se as reconstruções sempre a par das lutas com os muçulmanos, com os castelhanos e as guerras napoleónicas. Hoje vê-se a cerca amuralhada e um torreão do lado poente, ligando-se à vila através de duas portas. Ao percorrer o parapeito da cerca aponta-se a Ponte da Lavandeira, do séc. XVII, sobre o rio Mondego. Outra bela expressão da arte Joanina é a fachada da Igreja da Misericórdia que no interior tem um rico altar-mor e pinturas de Isidro Faria. Também se distingue a altivez barroca da Igreja Matriz de Santa Maria erguida sobre o casario baixo do bairro antigo do Castelo, aconchegado ao longo das suas ruas estreitas onde se pode ver uma rara colecção de portais góticos e janelas manuelinas. Mais ao longe, um horizonte rico de cor e de pastos verdes, cruzados por rebanhos de ovelhas bordaleiras que anunciam ao visitante o reino do gostosíssimo Queijo da Serra. Uma delícia amarelada, um pouco amanteigada, nascida das condições naturais ímpares da Serra da Estrela – água, pastos, humidade e frio.

Na rota das paisagens...com passado à vista 

Por Aldeias Históricas e antigas rotas de defesa, desvendando a diáspora humana gravada no granito da necrópole de S. Gens e nas paisagens férteis da Serra.
Ao sair de Celorico pare junto dos Paços do Concelho e recorde que nesta casa nasceu Sacadura Cabral, famoso aviador que com Gago Coutinho fez a primeira travessia do Atlântico Sul, em 1922. Depois atravesse o rio Mondego pela ponte da Lavandeira, tal como os exércitos de Napoleão. Continue em frente a caminho de Lameiras. A cerca de 2,5 km da Ponte, à direita da estrada, situa-se a Necrópole de S. Gens, coroada pelo pitoresco Penedo do Sino. Este campo sepulcral medieval, datado da era visigótica, séculos VIII/IX d.C., mostra um conjunto de onze sepulturas de planta rectangular, não antropomórficas, escavadas na rocha. Continuando até chegar a Lameiras, siga a EM 1095 até à tranquila aldeia de Forno Telheiro, rodeada de campos de centeio, legumes e pastos. Desça até ao cruzamento com a EN 102 e volte para Norte, à esquerda. A estrada segue por um vale ridente e bucólico, ao longo da Ribeira de Tamanhos. Decorridos 4 km volte à direita para Minhocal onde existe um núcleo de cinco queijarias certificadas. Nestas queijarias pode comprar e ver ao vivo o fabrico artesanal do Queijo da Serra, de Dezembro a Maio. Açores é uma das povoações mais antigas da Beira Alta, assim o prova a lápide funerária visigótica epígrafada, do século VIII, que pode ser vista na Capela-mor da Igreja Matriz de Açores, venerada pelos cavaleiros medievais do século XII e em cuja honra se celebra anualmente uma romaria no mês de Agosto. Continuando em direcção ao Sul, pela EM 557-2, pare junto à Capela de Santo António, de onde o panorama é magnífico. Depois cruze o Rio Mondego através da sugestiva Ponte do Ladrão. Até Lageosa do Mondego a estrada percorre o belo vale da Ribeira da Cabeça Alta. Em Lageosa pode almoçar e provar o borrego assado ou a feijoada de cabrito.
Para Vale de Azares, siga pela EM 557- 2. A Igreja Matriz de Vale de Azares guarda um valioso altar renascentista da escola Coimbrã e na aldeia ainda trabalham cesteiros que na "loja" ou à porta de casa fazem os "canastros", cestos de castanho que os pastores usam para levar os queijos da Serra até às Feiras. Até Prados a estrada segue pela encosta do Vale da Ribeira de Mourilhe, povoada de pequenas aldeias de granito, levadas antigas, soutos e verdejantes lameiros. Prados é uma povoação tão antiga como Portugal, aqui existem casas com teares manuais para tecer mantas de lã e os decorativos trabalhos em madeira do artesão Sr. José Manuel. De Prados até Linhares siga pela EM 555 e aprecie, com vagar, todo este planalto decorado por moitas de carvalhos, rochedos, castanheiros seculares e prados verdes. Ao passar junto à Barragem de Rega de Salgueirais pare um pouco e contemple este paradisíaco local de pesca à truta. Se chegar a Linhares ao final da tarde, deixe-se envolver pela luz e pelo ambiente desta aldeia medieval e passe aqui uma noite histórica. No dia seguinte conheça a aldeia, o castelo, a calçada romana, as pinturas de Grão Vasco na Igreja Matriz e prove os enchidos, o pão de centeio e a açorda de farinheira. Depois siga para a Carrapichana e se for segunda-feira visite a feira quinzenal. Continue até Mogadouro e Mesquitela onde há um pelourinho quinhentista e um gracioso núcleo de casario antigo. À saída de Mesquitela pare no Cabeço do Calvário. A estrada continua a subir até ao planalto da Carvalheda, revestido de prados, pinhais e retalhos de centeio. Mais abaixo é Vila Boa do Mondego e novos panoramas do Vale do Mondego. 

Duração do Circuito: 2 dias. Distância total: 89 km 

Linhares 

Aldeia Histórica de Portugal onde se vive e se respira a memória de uma era medieval de esplendor, ainda hoje, em estado puro.
Foi fundada em 580 a.C pelos Túrdulos, pastores originários da antiga Bética (centro da Península lbérica) que vieram a fazer parte do povo Lusitano. A Lénio daqueles tempos seria uma povoação castreja fortificada entre os planaltos granitícos do morro do castelo. Da Lenióbriga da ocupação romana ainda se vê, em frente ao pelourinho manuelino (séc. XVI), o forum romano, pequena tribuna sobreelevada com um banco e mesa de pedra, ou a calçada romana que vem de Figueiró da Serra e sobe para o planalto de Videmonte e daí para a Guarda, Idanha-a-Velha e Mérida. O primitivo castelo foi construído pelos Leoneses no século VIII e pouco depois ocupado e destruído pelos Muçulmanos.
O largo da Misericórdia tem, ao centro, a Igreja com bonito campanário e, no topo, um fontanário real e o antigo Solar dos Pires anunciado por vistoso brasão. Ao subir a rua do Pelourinho encontra-se, em frente a este, o antigo Paço do Município e o forum romano com as armas da antiga vila. Para chegar ao Castelo opte, por voltar à esquerda, conhecendo o núcleo mais primitivo da povoação, com casas medievais amparadas a enormes rochedos de granito, ou siga em frente até ao largo da Igreja Matriz onde se encontram três quadros renascentistas atribuídos a Grão Vasco - Adoração dos Magos, Descida da Cruz e a Anunciação. O Castelo, com duas torres ameadas nos ângulos da cerca, domina vasto panorama do vale do Mondego. A par dos momentos inesquecíveis de voar em parapente que a Escola do INATEL possibilita, não deixe de provar os enchidos artesanais (morcelas, farinheiras e chouriço), o presunto e o pão de centeio da Dª Maria do Rosário Pires que vive em frente ao Castelo. Como alojamento opte por ficar numa das diversas casas medievais. 


Posto de Turismo de Celorico da Beira

Estrada Nacional , n.º 16
6360-357 Celorico da Beira
Tel./Fax: 271 742 109

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