ão era ainda uma indústria (pois não era uma maquinofactura) já que todo o trabalho era manual. O Conde da Ericeira afirmava em 1679 que “a Covilhã continha para esse negócio melhor capacidade que qualquer outra do Reino pela muita frequência e conhecimento que havia e sempre houvera naquela vila do trato de lãs”.
Esses obreiros ingleses tentavam dissimular as técnicas de produção aos trabalhadores portugueses. Por isso, foram discretamente chamados os artífices de meias de Pinhel (que desenvolviam um processo parecido ao das novas técnicas) e estes esclareceram os mistérios do novo sistema de tecelagem.
Logo em 1679 acontece aquela que talvez seja a primeira grande revolta popular portuguesa contra uma nova forma de organização do trabalho; dezenas de artífices que continuavam a laborar artesanal e domesticamente nas suas pequenas oficinas organizam protestos violentos contra a manufactura. Entendiam que esta vinha pôr em causa o antigo método de produção caseira. Para além de ameaças aos proprietários da manufactura são elaborados panfletos que os acusam como sendo judeus secretos ou cristãos-novos falsos.
É verdade que a montagem da manufactura colocava problemas grandes de financiamento. O do Estado não era suficiente e sendo a Covilhã terra de uma outrora poderosa comunidade judaica mantinha nos agora cristãos-novos o seu maior poder financeiro. A Inquisição manteve-se sempre atenta e a ela não agradava este tipo de apoio á manufactura.
Entre 1700 e 1705 chegou a mandar prender 18 negociantes da cidade com base na acusação de judaísmo.
Para se ter uma ideia da MANUFACTURA da Covilhã, este possuía em 1680, um ano após a abertura, 415 trabalhadores e 17 teares.





