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A Inquisição e as Comunas da Serra da Estrela

Alguns exemplos de denúncias contra os judeus tornados secretos. Início do século XVII: 

"... Helena, moça negra, escrava de Manuel Gomes, da Covilhã, sabe também que, na Páscoa, em casa do amo comem pão ázimo, sem sal, não o deixando levedar..."

"... Pêro Gonçalves, do Rochoso, garante que vindo à Guarda, sexta-feira de Endoenças, vender perdizes, entrara, sem bater, numa casa e viu cinquenta pessoas, pouco mais ou menos, mulheres, homens e meninos em oração, "com hu altar na dita caza muito rico de peças de prata e ouro" com velas acesas e "... em o qual estava hua toura muito fermosa"..." 

 

"... Beatriz Mendes, do Fundão, declara que na Semana Santa, de dia de Ramos para diante "tinham panelas ao lume novas, e num eirado tinham uma cebola partida pelo meio e um pavio, no meio, aceso."...

"... Diz Michel Escamilla que a Inquisição não teria resistido quase três séculos sem o apoio da população. Os acusados sabiam-no; tinham conhecimento da miséria, da fome, da violência, da descida ao inferno de inúmeras famílias, companheiros de infortúnio.

 Di-lo sabiamente António José da Silva, o Judeu, também ele queimado com a mulher e a sogra, pela Inquisição:

"Que delito fiz eu para que sinta

O peso desta aspérrima cadeia

Nos horrores de um cárcere penoso,

Em cuja triste, lôbrega morada,

Habita a confusão e o susto mora?

Mas se acaso, tirana, estrela ímpia

É culpa o não ter culpa, eu culpa tenho;

Mas se a culpa que tenho não é culpa

Para que me usurpais com impiedade

O crédito, a esposa e a liberdade?"..."

Maria Antonieta Garcia, Denúncias em nome da fé.

 

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